terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Rio Antuã inunda campos e quintais

A chuva incessante que tem caído nos últimos dias fez o rio transbordar e atingir cotas máximas de anos anteriores

Quem passa por Estarreja observa que o rio Antuã extravasou o leito e está a inundar as margens, chegando a propriedades agrícolas e aos quintais de habitações próximas do rio. A chuva incessante que tem caído nos últimos dias fez o rio transbordar e atingir cotas máximas de anos anteriores.

O município de Estarreja já está habituado a imagens de inundações do Parque Municipal do Antuã e dos campos anexos. No projecto do recém criado parque municipal, a Câmara previu estas situações e, nas zonas próximas da água, instalou equipamentos urbanos próprios. É o caso da iluminação pública, cujos candeeiros junto às margens têm ligações superiores e não térreas, e o próprio ajardinamento desta área é mais selvagem uma vez que é inundado todos os anos. O próprio açude, recentemente construído, já tem o seu abaixamento previsto durante o Inverno, para deixar passar as águas.

O município reconhece que o rio Antuã é um curso selvagem e não tem uma continuidade ao longo do ano. Durante o Inverno enche e no Verão quase seca. Neste sentido foi criado um açude para poder manter alguma água no leito durante o Verão, como forma de embelezamento do parque.

Contudo, as cheias têm sido um problema para a empresa concessionária da construção do bar de apoio. Isto porque as águas não permitem a continuidade da empreitada. Há que esperar o tempo mais seco para dar seguimento à obra.

Esta manhã será inaugurada a pista de atletismo em pleno parque municipal. Outra estrutura que vai conviver paredes-meias com as águas selvagens do rio.


Água salgada prejudica campos


Outro problema que está a preocupar Estarreja e a restante região do Baixo Vouga é a entrada de água salgada nos campos agrícolas daquela área. De acordo com uma notícia avançada pela Agência Lusa, a subida das águas do Rio Vouga é provocada por uma maior amplitude das marés após as obras portuárias que fez sucumbir as estruturas tradicionais de defesa dos campos. O projecto de construção do dique tem décadas, tendo sido apenas construído o troço médio e respectivas comportas, numa extensão de quatro quilómetros.

O projecto do Baixo Vouga Lagunar está na agenda dos municípios integrados na região do Baixo Vouga Lagunar, uma vez que as terras em risco de salinização são as mais ricas da zona e correm o risco de se tornarem improdutivas devido à entrada de água salgada da ria nos campo. O que as separa da laguna é uma ténue linha de terra que a qualquer momento pode ser galgada. Autarcas e agricultores pretendem que o Governo retome o projecto, como meio de defesa dos campos extremamente férteis para cultivo e do relançamento da economia local, que pode ganhar novos investimentos e sinergias mediante a construção desta infra-estrutura.

Os autarcas e agricultores têm avisado que se o dique não for fechado a actividade agrícola pode desaparecer do Baixo Vouga. Esta situação não só coloca em risco a economia de dezenas de famílias, como também o equilíbrio do ecossistema, de reconhecido valor ambiental.

À Lusa, Zeferino Pereira, presidente da Associação dos Beneficiários do Baixo Vouga, afirmou que a obra é “fundamental” para salvar os campos agrícolas que se mantém em produção e para recuperar um sector que tem cerca de três mil hectares de terreno férteis.

O representante assegura que a obra embargada por decreto europeu nada ajuda a impedir a passar de água salgada para os campos. “Há proprietários que já não sabem onde são os seus campos, porque estão cobertos pela água salgada, e pagam impostos ao Estado sobre eles”, comentou.

O responsável apela a uma maior rapidez na resolução do processo, uma vez que a insatisfação dos agricultores está a aumentar de dia para dia.

A certeza de que a construção do dique no Baixo Vouga Lagunar impedirá o avanço da água salgada assenta num outro projecto – “polder-piloto” de Sarrazola. Esta estrutura foi criada à experiência pelo Ministério da Agricultura e, segundo Zeferino Pereira, transformou as piores terras do Baixo Vouga, nas mais produtivas. Resta agora terminar o projecto na restante região do Baixo Vouga.
Carmen Martins, Diário de Aveiro